quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Crítica literária

Algumas correntes críticas... resumo

...................................por Gerferson Neftali

FORMALISMO RUSSO
Embora o Formalismo Russo tenha uma história limitada, seu alcance e sua significação foram muito amplos e não se resumem a um determinado momento histórico. Os princípios do Formalismo foram expostos por Victor Erlich e pot T. Todorov.
Em 1914 e 1915 um grupo de estudantes resolve fundar o Círculo Linguístico de Moscou com o objetivo de desenvolver estudos de linguística e de poética. Roman Jakobson foi um de seus fundadores.
O Formalismo Russo sentiu a oposição que os marxistas faziam e isto fez com que os objetivos formalistas fossem destruídos, o que deixa claro como a vida cultural de um país pode ficar dependente de uma situação política. Os formalistas surgiram como uma reação sistematizadora aos estudos geneticistas da literatura,como reação ao determinismo, numa preocupação em fazer com que os estudos literários se voltassem para a obra em si, enquanto objeto autônomo de investigação.
O formalismo inaugurou uma série de correntes críticas cuja tônica é desprezar os fatores extrínsecos para se delimitar ao estudo intrínseco da literatura. Esta foi a diretriz fundamental do New Criticism, do Estruturalismo, da própria Semiótica e da Desconstrução.
Eichembaum, um dos principais formalistas, diz que essa abordagem deveria ser chamada de morfológica, para diferenciá-la de abordagens como a psicológica, s sociológica e outras. Na abordagem formalista, o objeto da investigação seria a obra, e nas outras o objeto não seria ela, mas alguma coisa que nela se reflete.

NEW CRITICISM
New critcism aparece por volta dos anos 30, mas há coisas anteriores que tem algo do New Criticism. O que há em comum entre esses movimentos é a mudança radical de uma visão extrínsica para uma visão imanentista. O Formalismo Russo e o New Criticism são os dois movimentos que tem uma familiaridade maior.
O início do movimento coincide também com uma revalorização da poesia, isto em resposta ao racionalismo científico, que já vinha do século XIX, e se voltara mais para a prosa. É um movimento de um certo cansaço do racionalismo, que traz de volta o valor da poesia.
O âmago do New Criticism está em transformar o poema em um objeto em si mesmo; o poema não significa, ele “é”, e a atitude que se recomenda, e que é assumida para chegar ao poema, é o “close reading”, uma leitura que tenta desmontar o poema. O New Criticism é como que um Formalismo radical. Sua atitude é separar o poema tanto do autor como do leitor, nisto se distanciando tanto da crítica genética quanto da estética da recepção, que viria logo ao centro dos estudos literários. Existe no New Criticism uma “materialização” do poema no sentido em transformá-lo em matéria, em objeto.
Para os new critics a noção de estrutura é básica, a tal ponto que lhes repugna terrivelmente a idéia de paráfrase, pois esta será sempre um objeto diferente do poema, já que não preserva sua construção. Ao falar do poema, não se pode parafraseá-lo, porque isto não será o poema. Assim mencionam os autores quando se começa uma crítica com “o que o poema comunica”, torna-se uma atitude errada, pois é uma questão mal colocada. Dizem que o verdadeiro exame do poema não é aquele que localiza as ideias comunicadas pelo poeta com seus embelezamentos. Não se pode separar a beleza da forma da do conteúdo. Se procuramos as ideias do poema, e, ao encontrá-las dizemos que elas se expressam através de metáforas e metonímias, isto é separar forma e conteúdo. Não existem ideias separadas da forma.

ESTRUTURALISMO
O Estruturalismo surgiu como mais uma forma de reação contra o estudo genético da literatura e contra as abordagens extrínsecas à literatura. Apareceu portanto como uma afirmação do imanentismo em crítica literária. Tal reação que também ocorreu, por exemplo, com o new Criticism e com os trabalhos de Eliot, fazia-se necessária para superar um hábito já longo de estudo do autor, da sociedade, de outros elementos exteriores à obra.
O Estruturalismo mantém um certo parentesco com outras correntes críticas, principalmente o Formalismo, na medida em que volta sua atenção para a obra em si e não seus condicionamentos genéticos.
Basicamente a visão de qualquer objeto como estrutura significa encará-lo como um organismo, como um sistema de relações. A estrutura não é uma soma de partes, mas um todo orgânico, que só existe pelo relacionamento interno das partes, de tal forma que a alteração, ou supressão de uma parte pode acarretar não uma simples modificação do todo, mas até a criação de algo novo.
No que se refere à literatura está mais ou menos claro que a obra é uma estrutura, um todo orgânico, um sistema de relações de tal forma que qualquer alteração imposta, por exemplo, a um elemento qualquer de um romance significa alteração da obra toda. Daí ser discutível a validade de se fazer uma adaptação de um romance, acreditando-se que é uma transposição perfeita.
O Estruturalismo surgiu prenhe de ideias sugestivas sobre a natureza do literário. Não esteve livre, entretanto, de extremismos e de simplificações falsas, e são os momentos de reducionismos desnaturalizantes que chamaram a atenção de teóricos como Terry Eagleton. Assim como o Formalismo Russo foi ironizado nos seus excessos (uma obra existiria mesmo que não houvesse seu autor histórico), o Estruturalismo foi satirizado nas suas declarações menos felizes. Antes, entretanto, do texto de Eagleton, houve no Brasil uma apresentação sóbria e extremamente perspicaz, do movimento. É o que faz Fábio Lucas, como em geral, todo grande teórico da Literatura, entendida esta não no sentido rigoroso do termo entre os saberes humanos, mas como uma tentativa de descerrar a natureza mais profunda de seu objeto de estudo.

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